O chullo é a touca andina de tricô com protetores de orelha, cordões e borlas que você vê em Cusco e em todo o altiplano peruano.
No Brasil muita gente a chama de touca peruana ou gorro peruano. É tricotada em círculo, quase sempre com lã de alpaca ou de ovelha, e suas cores e desenhos costumam dizer qual comunidade a fez.
Muitos guias dizem que é um gorro inca. Os museus contam uma história mais rica: andina no uso, nas fibras e nos símbolos, europeia na técnica do tricô, e moldada nos Andes ao longo de cinco séculos.
Somos uma agência local de Cusco. Este guia reúne museus, a UNESCO, a norma técnica peruana da fibra de alpaca e o que vemos toda semana em Chinchero, Pisac e nos mercados da cidade, para você entender o chullo e saber reconhecer um autêntico.
O que é um chullo? Significado da touca andina
A palavra chullo vem do quéchua ch’ullu. A PromPerú, o órgão oficial de turismo do Peru, a traduz como “gorro tradicional de lã de alpaca”. Em aimará, a língua da região do Titicaca e da Bolívia, a mesma touca se chama lluch’u.
Três detalhes fazem de um chullo um chullo:
- Tricotado em círculo, muitas vezes com cinco agulhas bem finas.
- Dois protetores de orelha, que costumam terminar em cordões trançados para amarrar embaixo do queixo.
- Borlas ou pompons nas abas e, muitas vezes, na ponta.

Um chullo tradicional de Chinchero é feito em faixas. A tecelã Nilda Callañaupa, do CTTC, descreve uma borda ondulada, uma faixa de listras e xadrez, faixas com animais e motivos do campo, uma ponta com três borlas e as abas tricotadas por último.
Chullo ou gorro beanie: a diferença
O beanie é o gorro de tricô liso e justo, sem abas e sem desenhos de comunidade. O chullo cobre as orelhas, amarra embaixo do queixo e traz desenhos com significado local.
Muitas lojas de alpaca vendem os dois: o chullo para o visual andino e o beanie para o dia a dia.

Chullo, chuyo ou ch’ullu: como se escreve e se pronuncia
Chullo é a grafia mais usada. Você também verá chuyo, porque no Peru o “ll” soa quase como “i”: diga algo como “tchúio”. Em quéchua se escreve ch’ullu. “Chulo” é só um erro comum de digitação.
História do chullo: gorro inca ou tricô espanhol?
Nos Andes, o que se usava na cabeça sempre foi sinal de status.
O Metropolitan Museum de Nova York descreve os gorros de quatro pontas das culturas Wari e Tiwanaku, feitos de fibra de camelídeo entre 500 e 1000 d.C. e usados por homens de alta posição.
Esses gorros eram feitos com nós, não com tricô. O Met, o Museu de Arte de Cleveland e o Museu Carlos da Universidade Emory os descrevem como trabalhos de nós ou laçadas. Nenhum museu mostra um chullo de tricô anterior à chegada dos espanhóis.
O tricô com agulhas chegou aos Andes com os espanhóis no século XVI, segundo Andean Folk Knitting (1990), de Cynthia LeCount, a obra de referência no tema. Os tricoteiros andinos adotaram a técnica com fibras, cores e símbolos próprios.
A origem da forma ainda gera debate. O historiador peruano Arturo Jiménez Borja a ligou ao birrete espanhol, e outros autores apontam o papahigo basco e a montera.
Alguns blogs peruanos dizem que o chullo existia antes dos incas, mas nenhum cita uma peça concreta.
O resumo mais justo: o chullo é uma fusão da época colonial. Ele se apoia em mais de mil anos de tradição andina, mas a touca com abas tricotada com cinco agulhas tomou forma depois de 1532.
Quem tricota os chullos: os homens de Taquile e os tricoteiros de Cusco
Pode surpreender: em muitas comunidades andinas são os homens que tricotam os chullos, enquanto as mulheres tecem no tear as faixas, os ponchos e as mantas. O caso mais famoso é a ilha de Taquile, no lago Titicaca, a cerca de 45 km de Puno.
A UNESCO proclamou “Taquile e sua arte têxtil” Obra Prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade em 2005 e a inscreveu na Lista Representativa em 2008.
O registro cita o chullo, uma touca de tricô com abas, entre as peças mais típicas da ilha. Você pode ler na página de patrimônio imaterial da UNESCO.
Em Taquile, os meninos começam a tricotar por volta dos 8 anos, e o pai tricota o primeiro chullo do seu bebê. A UNESCO também alerta que a demanda turística mudou os materiais, a produção e o sentido de algumas peças.
Em Cusco, a instituição de referência é o Centro de Têxteis Tradicionais de Cusco (CTTC), fundado em 1996 pela tecelã Nilda Callañaupa Alvarez, de Chinchero.
Ele trabalha com dez comunidades: Accha Alta, Acopia, Chahuaytire, Chinchero, Mahuaypampa, Huacatinco, Patabamba, Pitumarca, Santa Cruz de Sallac e Santo Tomás.
Quem tricota muda de um lugar para outro. Em Chahuaytire os homens desenham e tricotam os chullos, e em Accha Alta tricotam homens e mulheres. Em Pitumarca, os rapazes tricotam toucas cheias de miçangas e borlas para eles, para os filhos e para os visitantes.

O que significam as cores e os símbolos do chullo
O chullo funciona como uma carteira de identidade. Como diz Nilda Callañaupa, uma pessoa deve ser reconhecida pela roupa e pelos tecidos que faz. Cada comunidade repete suas próprias cores, bordas e figuras.
As figuras vêm do mesmo vocabulário do pallay, os desenhos “escolhidos” da tecelagem andina. Os chullos de Chinchero mostram animais como a raposa, o ganso, o colibri e a pomba, e motivos do campo como sulcos, plantas e cordas.
A palavra pallay aparece no nome da montanha Pallay Punchu, o “poncho enfeitado”.
O código de cores de Taquile
Os guias da ilha explicam um código que os visitantes adoram. A versão mais comum: o chullo todo vermelho indica um homem casado e o vermelho com branco, um solteiro. O jeito como a ponta comprida cai mostraria até o humor dele.

Encare isso como tradição viva, não como regra fixa. As fontes divergem nos detalhes, algumas invertem as cores e nada disso aparece no registro da UNESCO. Também se conta que o pretendente precisa tricotar um chullo tão fechado que segure água.
O significado das cores naturais
Antes dos corantes sintéticos, cada cor vinha de uma planta, de um inseto ou de um mineral:
- Vermelho, rosa e roxo: a cochonilha, o inseto que vive nos cactos de tuna.
- Azul: o anil.
- Verde: as folhas de ch’illka (chilca).
- Amarelo: as flores de q’olle.
- Marrom e preto: a nogueira.
Leituras como “o vermelho é o sangue e a terra” ou “o amarelo é o sol” são populares, mas vêm de blogs de turismo, não dos museus.
Um fato documentado é mais forte: quando o anil natural sumiu no século XX, as tecelãs de Chinchero passaram a tecer em preto as partes azuis. O CTTC recuperou o tingimento natural no fim dos anos 1990.
Tipos de chullo por região
Com um pouco de prática dá para saber de onde vem um chullo pela forma e pela decoração.

| Região | Como reconhecer | Quem tricota |
|---|---|---|
| Chinchero (Cusco) | Borda ondulada, faixa listrada, faixas de aves e animais, três borlas na ponta | Sobretudo homens |
| Chahuaytire (Cusco) | Faixas finas de figuras, cores da comunidade | Sobretudo homens |
| Accha Alta (Cusco) | Textura em relevo, com “bolinhas” | Homens e mulheres |
| Pitumarca (Cusco) | Alpaca fiada à mão, miçangas e borlas | Rapazes |
| Ocongate e Ausangate (Cusco) | Ponta alta, pompons nas abas, muitas miçangas brancas | Homens |
| Q’eros (Cusco) | Desenhos tradicionais, versões de festa com miçangas | Homens |
| Taquile (Puno) | Ponta longa, estreita e caída, quase do tamanho da touca; vermelho e branco | Homens e meninos |
| Norte de Potosí (Bolívia) | Abas longas e triangulares, enfeites em raios nos cordões | Homens |
Pelo uso, existem chullos do dia a dia para o trabalho no campo, chullos de festa e de namoro com miçangas e pontos finíssimos, o primeiro chullo da criança, tricotado pelo pai, e chullos de lembrança.
Em Taquile, um viajante notou que as toucas à venda tinham desenhos diferentes das que os homens da ilha usavam.
Chapéus típicos do Peru além do chullo
O chullo é o mais famoso, mas não é o único chapéu tradicional do Peru. Cada região, e muitas vezes cada comunidade, tem o seu, e vários são usados pelas mulheres.
- Montera: chapéu chato de festa, tecido no tear ou de feltro, usado em muitas comunidades de Cusco. A forma e as cores mudam de povoado para povoado.
- Bombín: o chapéu redondo e duro de muitas mulheres de Puno e da Bolívia.
- Mantas na cabeça: em Taquile, as mulheres cobrem a cabeça com uma manta escura em vez de chapéu.
- Chapéus de palha: de aba larga, típicos dos Andes do norte, feitos para o sol e não para o frio.
- O gorro de quatro pontas: o símbolo de status Wari e Tiwanaku, que hoje só se vê nos museus.
Como regra geral, em muitas comunidades de Cusco o homem usa chullo e a mulher usa montera, embora também existam chullos de menina. Nos nossos passeios pelo Vale Sagrado dos Incas você vê os dois estilos em Chinchero nos dias de feira.
Chullo de alpaca: baby alpaca, royal alpaca e como um chullo é feito
O Peru é a terra da alpaca. O Ministério da Agricultura (MIDAGRI) informou em 1º de agosto de 2026 que o país tem cerca de 4,6 milhões de alpacas, mais de 80% da população mundial, e produziu 4.713 toneladas de fibra em 2025.
Mais de 90 mil famílias vivem dessa fibra, quase todas nas comunidades do altiplano.
Da lã ao chullo: como é feito
Um chullo tradicional passa por três etapas. Primeiro a lã é tingida. Depois é fiada e torcida com o fuso de mão, a puska. Por fim é tricotada, cor por cor, com pequenos novelos pendurados no trabalho.

LeCount descreve homens tricotando com cinco agulhas finas de duas pontas, quatro formando um quadrado e a quinta trabalhando os pontos, muitas vezes com a ponta em gancho feita de arame.
Os chullos finos de Pitumarca chegam a uns 12 pontos por polegada, quase 5 por centímetro, e as peças mais finas a 21.
Ninguém mediu quanto tempo leva um chullo. Uma peça simples de mercado leva dias; um chullo fino de comunidade pode levar semanas ou até meses, segundo a Andean Textile Arts.
Baby alpaca e royal alpaca: o que dizem as etiquetas
Este é o mito mais comum em Cusco: baby alpaca não vem de filhotes de alpaca. Pela norma técnica peruana NTP 231.301:2014, “baby” é uma categoria de finura, medida em mícrons. Pode vir de animais jovens ou de adultos com velo muito fino.
| Categoria (NTP 231.301:2014) | Diâmetro da fibra | Ao toque |
|---|---|---|
| Alpaca Super Baby | 20 µm ou menos | Macia ao extremo |
| Alpaca Baby | 20,1 a 23 µm | Muito macia, não pinica |
| Alpaca Fleece | 23,1 a 26,5 µm | Macia |
| Alpaca Medium Fleece | 26,6 a 29 µm | Comum em toucas |
| Huarizo | 29,1 a 31,5 µm | Pode pinicar |
| Grossa (Gruesa) | Mais de 31,5 µm | Pinica |
A fibra fina é escassa: estudos citados em pesquisas peruanas estimam que só 8% a 12% de um velo é de categoria baby.
“Royal alpaca” é um termo comercial, em geral para fibra abaixo de 19 ou 19,5 µm, mas não é uma categoria oficial peruana e cada marca a define do seu jeito.

Alpaca, merino ou cashmere
| Fibra | Diâmetro típico | O que saber |
|---|---|---|
| Baby alpaca | 20,1 a 23 µm | Sem lanolina, lisa, tem bom caimento |
| Merino superfina | Cerca de 15 a 19 µm | Ondulada e elástica, tem lanolina |
| Cashmere | Cerca de 15,5 a 19 µm | Muito leve e fofa, faz mais bolinhas |
| Lhama e alpaca grossa | 29 µm ou mais | Resistente, pode pinicar |
A alpaca esquenta mais que a lã de ovelha? Muitos vendedores dizem que sim, porque algumas fibras de alpaca têm o centro parcialmente oco, que retém ar.
A explicação é razoável, mas não encontramos nenhuma medição científica que confirme um número exato. Desconfie do famoso “três vezes mais quente”.
Como saber se o chullo é de alpaca ou de acrílico
A maioria dos chullos baratos “de alpaca” dos mercados de Cusco é de acrílico ou de mistura.
Acrílico não é ruim: é barato, colorido e esquenta o suficiente para um dia na cidade. O problema é pagar preço de alpaca por ele. Use estes quatro testes.

- O preço. É o sinal mais forte. Um chullo de S/15 a 30 é de acrílico, diga o que disser a etiqueta.
- Toque e peso. A alpaca parece fresca no primeiro toque, é mais densa e tem caimento; o acrílico parece morno, leve e elástico. Olhe também o lado de dentro: o acrílico escovado é macio por fora e áspero por dentro.
- A etiqueta. Procure uma porcentagem, como “100% alpaca” ou “50% alpaca, 50% acrílico”. “Mezcla de alpaca” ou “tipo alpaca” quer dizer mistura.
- O teste do fogo. Só com um fio solto e com permissão. A alpaca cheira a cabelo queimado e vira cinza; o acrílico derrete em uma bolinha dura e cheira a plástico.
Cuidado com três truques: chamar tudo de “baby alpaca”, cobrar o mesmo preço por todas as peças e vender peça feita à máquina como artesanal. Cores fluorescentes quase sempre são sintéticas, embora os tricoteiros tradicionais também usem acrílico brilhante de propósito.
Onde comprar chullo em Cusco e quanto custa (2026)
O preço depende da fibra e de quem tricotou o chullo. Estes são preços de referência de 2026, reunidos em visitas aos mercados e relatos de viajantes. Os valores em reais são aproximados e variam com o câmbio.
| Tipo de chullo | Preço comum |
|---|---|
| Acrílico, de mercado | S/15 a 30 (cerca de R$ 25 a 50) |
| Mistura com alpaca, de mercado | S/30 a 60 (cerca de R$ 50 a 95) |
| 100% alpaca ou baby alpaca, loja com etiqueta | US$ 35 a 60 (cerca de R$ 190 a 330) |
| Tricotado à mão em comunidade, com tingimento natural | Em geral mais de S/100 (cerca de R$ 160) |
| Chullo fino de festa ou com miçangas | S/300 ou mais (cerca de R$ 480) |

Onde procurar:
- Loja e museu do CTTC, na avenida El Sol, em Cusco. Cada peça é ligada a uma comunidade, o que faz dele o lugar mais transparente para comprar.
- Chinchero, onde a associação fundadora do CTTC mostra como a lã é fiada, tingida e tecida, e vende os têxteis das comunidades parceiras. Aos domingos tem feira.
- Mercado de Pisac, mais movimentado aos domingos. Mistura trabalho de comunidade com mercadoria em série, então use os quatro testes.
- Mercado San Pedro, em Cusco, bom para chullos baratos de acrílico para presente.
- Lojas de alpaca com etiqueta no centro de Cusco, onde a composição vem impressa.
Nosso tour pelo Vale Sagrado para em Chinchero para uma demonstração de tecelagem, e ali você compra direto das tecelãs.
Prefere encomendar antes da viagem? Veja nossas toucas peruanas de alpaca, tricotadas em Cusco e com a fibra informada na etiqueta.
Na volta ao Brasil, alguns chullos ficam muito abaixo da cota de isenção de US$ 1.000 para quem chega de avião.
E lembre: uns soles a mais significam pouco para você e muito para quem tricotou. Se comprar acrílico de propósito, tudo bem; só pague preço de acrílico.
Como usar e cuidar de um chullo de alpaca
Muitos brasileiros visitam Cusco em julho, nas férias escolares, que é o inverno andino: dias de sol e noites abaixo de zero nas regiões altas. É aí que o chullo faz diferença.
Puxe o chullo até cobrir as orelhas e amarre os cordões embaixo do queixo quando o vento apertar, ou deixe soltos. Ele cabe embaixo do capuz da jaqueta.

Um chullo tricotado à mão deve ficar um pouco justo no começo, porque a lã cede com o uso.
Como lavar alpaca
- Lave à mão em água fria ou morna com sabão próprio para lã ou xampu de bebê.
- Não esfregue nem torça. Tire a água apertando a peça dentro de uma toalha.
- Seque na horizontal e à sombra, ajeitando a forma com as mãos.
- Nunca use secadora: a alpaca feltra e encolhe.
Na primeira vez, lave sozinhos os chullos com tingimento natural, porque podem soltar tinta. Muitas vezes nem é preciso lavar: a alpaca resiste a odores e arejar costuma bastar.
Alpaca pinica?
A alpaca fina em geral não pinica. Ela não tem lanolina, e as fibras baby (23 µm ou menos) ficam bem abaixo da espessura que irrita a pele, que costuma ser citada em torno de 30 µm.
A alpaca grossa e a lhama ainda podem pinicar, por isso a categoria importa.
Mais duas coisas: a alpaca faz bolinhas nos pontos de atrito, apesar do que dizem algumas lojas, e um pente para tecidos resolve. E, como toda fibra animal, atrai traças: guarde limpa em um saco fechado com cedro ou lavanda.
O chullo hoje: trekking, moda e cultura pop
Na trilha, o chullo é equipamento de verdade. A alpaca esquenta mesmo úmida e as abas cortam o vento acima de 4.000 m, por isso você vê tantos no Salkantay, na Trilha Inca e no Ausangate.
Ele não pode faltar na lista do que levar na trilha Salkantay.
O chullo também é um símbolo do Peru. A PromPerú o usa na imagem turística do país, e em 2010 o presidente Alan García colocou um chullo na taça da Copa do Mundo da FIFA, em Lima.
A moda também o descobriu. John Galliano levou à passarela uma touca de tricô com abas inspirada no Peru na coleção outono e inverno 2002 da Dior; uma delas foi vendida depois em leilão por US$ 7.800.
E em 10 de outubro de 2026, os sete integrantes do BTS subiram ao palco do Estádio San Marcos, em Lima, com ponchos e chullos.
Perguntas frequentes sobre o chullo
O chullo é um gorro inca?
Não exatamente. Os incas e as culturas anteriores usavam gorros de status, mas feitos com nós. O chullo de tricô com abas tomou forma depois que os espanhóis trouxeram o tricô com agulhas, no século XVI.
Qual a diferença entre chullo e touca peruana?
Nenhuma: “touca peruana” e “gorro peruano” são os nomes que muitos brasileiros dão ao chullo. O nome original, em quéchua, é ch’ullu.
Turista pode usar chullo?
Pode. Os próprios tricoteiros andinos fazem e vendem chullos para os visitantes, da cooperativa de Taquile ao CTTC. O respeito está em comprar de quem faz e em não usar peças de festa de uma comunidade como fantasia.
Homens ou mulheres usam chullo?
Os dois, mas em muitas comunidades, como Taquile, Q’eros e Chahuaytire, os homens são os principais tricoteiros e usuários. As mulheres usam mais a montera, o bombín ou mantas, embora existam chullos de menina.
Por que o chullo tem protetores de orelha?
Para proteger do frio e do vento da altitude. Taquile fica a cerca de 3.800 m e muitas comunidades de Cusco vivem mais alto, onde o vento da noite é forte. As abas se amarram embaixo do queixo.
Quanto custa um chullo no Peru?
De S/15 a 30 (cerca de R$ 25 a 50) no acrílico dos mercados, de US$ 35 a 60 na alpaca com etiqueta das lojas e, em geral, mais de S/100 por um chullo tricotado à mão em comunidade, com tingimento natural.
Baby alpaca vem de filhote de alpaca?
Não necessariamente. Na norma oficial peruana, baby alpaca é uma categoria de finura de 20,1 a 23 mícrons. Pode vir de animais jovens ou de adultos com fibra muito fina.
Chullo serve para o frio do Brasil?
Serve, e sobra. No inverno do Sul do Brasil, um chullo de alpaca fina esquenta bem sem pinicar. Prefira os modelos de alpaca com etiqueta, que duram anos com o cuidado certo.