Vale Sagrado dos Incas: vista panorâmica dos terraços circulares de Moray e dos Andes
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Vale Sagrado dos Incas: o que ver, como chegar e quantos dias

O Vale Sagrado dos Incas é o trecho do rio Vilcanota‑Urubamba entre Pisac e Ollantaytambo, a 30 a 70 km de Cusco. Dá para ver os cinco lugares principais em um dia longo de passeio, mas com dois dias você aproveita de verdade. Além disso, o vale fica de 400 a 600 metros mais baixo […]

O Vale Sagrado dos Incas é o trecho do rio Vilcanota‑Urubamba entre Pisac e Ollantaytambo, a 30 a 70 km de Cusco. Dá para ver os cinco lugares principais em um dia longo de passeio, mas com dois dias você aproveita de verdade.

Além disso, o vale fica de 400 a 600 metros mais baixo que Cusco, por isso é o melhor lugar para passar as primeiras noites e se aclimatar antes de Machu Picchu.

Somos uma operadora local de Cusco e percorremos o vale quase todos os dias. Neste guia: o que ver em cada cidade, nossa ordem de visita, como chegar, os preços de entrada de 2026, onde ficar e a melhor época.

Vale Sagrado dos Incas: terraços de Ollantaytambo e o vale do rio Urubamba
Ollantaytambo e seus terraços, no extremo oeste do vale.

O que é o Vale Sagrado dos Incas e onde fica

É o vale formado pelo rio Vilcanota, chamado de Urubamba mais abaixo, no trecho entre Pisac e Ollantaytambo. Pertence às províncias de Calca e Urubamba, na região de Cusco. Nos documentos coloniais aparece como “Vale de Yucay”.

Chinchero, Moray e Maras costumam entrar no roteiro, embora fiquem num planalto acima do vale, e não junto ao rio. Estas são as distâncias aproximadas de carro a partir de Cusco:

Destino Distância de Cusco Tempo aproximado
Chinchero 28 km 40 min
Pisac 33 km 45 min a 1 h
Maras (cidade) 40 km 1 h
Moray cerca de 50 km 1 h 15 min
Urubamba (via Chinchero) cerca de 55 km 1 h 15 min
Ollantaytambo 72 km 1 h 30 min a 2 h

Por que se chama “sagrado”: a história em poucas linhas

Para os incas era terra privilegiada: mais baixa e amena que Cusco, ideal para o milho, um cultivo de prestígio ritual. Por isso a nobreza construiu aqui suas fazendas reais: Pisac é atribuída a Pachacútec e o palácio de Quispiguanca, em Yucay, a Huayna Cápac.

Em janeiro de 1537, Manco Inca derrotou em Ollantaytambo a expedição de Hernando Pizarro. Os incas atacaram dos terraços altos e inundaram a planície para frear a cavalaria. Depois ele se retirou para Vilcabamba, o último refúgio inca.

O vale como um todo não é Patrimônio Mundial, mas as Salinas de Maras estão na Lista Indicativa da UNESCO desde 2019.

O que fazer no Vale Sagrado, cidade por cidade

Pisac: ruínas e mercado

O parque arqueológico de Pisac tem terraços enormes, um setor cerimonial com o Intihuatana e o maior cemitério inca conhecido, com túmulos escavados no penhasco. Fica na montanha, a cerca de 9 km da cidade pela estrada.

O mercado de artesanato abre todos os dias. Pela nossa experiência, de segunda a sexta dá para passear com calma. Aos sábados e domingos às vezes enche, principalmente no domingo, o dia tradicional de feira, mas em geral não é um problema.

Ruínas de Pisac e terraços incas sobre o vale do Urubamba, no Vale Sagrado
O parque arqueológico de Pisac, no alto da cidade.

Chinchero: tecelãs e igreja colonial

Chinchero fica a cerca de 3.762 m, mais alto que Cusco. Sua igreja colonial foi erguida sobre os muros do palácio de Túpac Inca Yupanqui, cercada de terraços incas. Os centros têxteis mostram como a lã é fiada e tingida com plantas.

Perto da cidade está em obras o novo aeroporto de Chinchero. Segundo o Ministério dos Transportes do Peru, a operação está prevista para 2029, então por enquanto todos os voos continuam chegando a Cusco.

Viajantes com as tecelãs de Chinchero no Vale Sagrado
Demonstração de tecelagem tradicional em Chinchero.

Moray: o laboratório agrícola dos incas

Moray são depressões naturais com terraços circulares concêntricos. O conjunto maior, Qechuyoq, tem cerca de 30 m de profundidade. A teoria mais aceita é que foi um centro de experimentação agrícola, onde cada nível reproduzia condições de zonas diferentes.

Cuidado com um mito: que entre o fundo e o topo há 15 °C de diferença. Nenhuma fonte comprova isso. As medições publicadas falam de solos 2 ou 3 °C mais quentes de um setor para outro. Os microclimas existem, mas são mais sutis.

Terraços circulares de Moray, o laboratório agrícola inca do Vale Sagrado
Moray: os terraços circulares de Qechuyoq.

Salinas de Maras

São milhares de poças de sal na encosta, entre 3.000 e 5.000 conforme a fonte, alimentadas por uma nascente salgada. Quem administra é a empresa comunitária Marasal, formada por famílias de Maras e Pichingoto, que ainda colhem o sal à mão.

Desde junho de 2019 não é mais possível caminhar entre as poças, por questão de higiene. A visita é feita pelos mirantes e trilhas sinalizadas. A entrada não faz parte do Boleto Turístico e é paga à parte, em dinheiro.

Urubamba e Yucay

Urubamba é a capital da província e o centro prático do vale: terminal de vans, estação de trem, restaurantes de buffet e muitos hotéis de campo. Ao lado, Yucay conserva restos do palácio de Huayna Cápac.

Ollantaytambo: a cidade inca viva

Ollantaytambo (2.792 m) combina uma fortaleza‑templo de terraços monumentais com o Templo do Sol e seus seis monólitos. Em frente à cidade, no morro Pinkuylluna, há armazéns incas aos quais se sobe por uma trilha gratuita.

O mais especial é que a cidade continua habitada sobre o traçado inca, com quarteirões e canais de água que ainda funcionam. É também a principal estação do trem para Machu Picchu.

Mapa do Vale Sagrado e ordem de visita

Mapa do Vale Sagrado com Pisac, Chinchero, Moray, Maras, Urubamba e Ollantaytambo e a ordem de visita do passeio
Mapa do Vale Sagrado: os números mostram a ordem do nosso passeio de um dia.

Pense no vale em duas metades. A leste, junto ao rio, ficam Pisac e Calca. A oeste, no planalto, ficam Chinchero, Moray e Maras e, no fim do vale, Ollantaytambo. Urubamba fica no centro.

A maioria dos passeios de um dia faz Pisac de manhã, almoça em Urubamba e segue para Ollantaytambo e Chinchero. Nós fazemos o percurso ao contrário, para chegar a cada lugar com menos grupos:

Horário aproximado Parada
6h30 a 7h Busca no seu hotel em Cusco
Manhã Chinchero, Moray e Salinas de Maras (até o meio‑dia)
12h45 a 13h45 Almoço buffet em Urubamba
14h15 a 15h Ollantaytambo
16h30 a 17h15 Pisac

Assim você chega a Pisac no fim da tarde, quando os grupos da manhã já foram embora. Essa é a ordem do nosso passeio pelo Vale Sagrado em 1 dia.

Como ir de Cusco ao Vale Sagrado

De van coletiva

As vans para Urubamba e Ollantaytambo (via Chinchero) saem da rua Pavitos, em Cusco. Custam cerca de R$ 15 a 30 (S/10 a 20), partem quando enchem, mais ou menos entre 6h e 18h, e levam de 1h30 a 2h.

Para Pisac há vans pela rota leste; pergunte no hotel qual é o ponto atual. Não há transporte público até Moray e Maras: é preciso descer no desvio de Maras e seguir de táxi.

De táxi ou transfer privado

Um táxi de Cusco a Ollantaytambo custa cerca de R$ 150 a 230 (S/100 a 150), e vale combinar o preço antes. Um transfer privado com paradas no caminho sai por cerca de US$ 35 a 50 por carro.

Com passeio organizado

É o jeito mais simples de ver Moray e Maras, difíceis por conta própria. Nosso passeio de um dia custa a partir de US$ 25 (cerca de R$ 130) e inclui busca no hotel, transporte, guia e almoço buffet. As entradas são pagas à parte.

Quantos dias ficar no Vale Sagrado: roteiros de 1 e 2 dias

Em um dia você vê os cinco lugares principais, mas com cerca de 45 minutos em cada um e um dia de umas 12 horas. É a melhor opção se você tem pouco tempo.

Com dois dias o vale é aproveitado de verdade, e isso coincide com os 2 dias de validade do Boleto Parcial III. Este é o plano que recomendamos se você segue para Machu Picchu:

Dia Plano Pernoite
Dia 1 Pisac (ruínas e mercado) e Urubamba Urubamba
Dia 2 Chinchero, Moray, Salinas de Maras e Ollantaytambo Ollantaytambo
Dia 3 Trem cedo para Machu Picchu Aguas Calientes ou Cusco

Se preferir que a gente organize, o passeio Machu Picchu e Vale Sagrado em 2 dias une o vale à cidadela, e o pacote de 5 dias com Cusco e a Montanha das 7 Cores inclui também a cidade.

Por conta própria ou com passeio? Entradas e Boleto Turístico 2026

Por conta própria Com passeio
Custo Baixo: vans de R$ 15 a 30 A partir de US$ 25 com almoço
Tempo em cada lugar O quanto quiser Cerca de 45 minutos
Moray e Maras Difícil, sem transporte público Incluídos
Guia Não Sim, em espanhol ou inglês

Resumindo: por conta própria vale a pena se você dorme no vale e quer tempo em Pisac ou Ollantaytambo. Com passeio vale a pena se você sai e volta a Cusco no mesmo dia e quer ver os cinco lugares.

Grupo do passeio pelo Vale Sagrado em Moray com o guia
Um grupo do nosso passeio de um dia em Moray.

Boleto Turístico de Cusco: o que inclui e quanto custa

Pisac, Chinchero, Moray e Ollantaytambo só podem ser visitados com o Boleto Turístico de Cusco; não se vendem ingressos avulsos. Estes são os preços oficiais da COSITUC em outubro de 2026:

Boleto Preço (estrangeiros) Validade Lugares do vale
Integral cerca de R$ 196 (S/130) 10 dias Os 4, mais 12 sítios e museus de Cusco
Parcial III (Vale Sagrado) cerca de R$ 106 (S/70) 2 dias Pisac, Ollantaytambo, Chinchero e Moray
Estudante cerca de R$ 106 (S/70) 10 dias Igual ao integral

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O de estudante vale para quem tem de 10 a 17 anos com documento, ou de 18 a 25 com carteira universitária válida ou ISIC. O pagamento é em dinheiro e em soles. Desconfie de revendedores online que cobram até US$ 50 pelo integral.

Se você também vai visitar as ruínas da cidade, o integral compensa mais. Explicamos tudo no guia do Boleto Turístico de Cusco.

Entrada das Salinas de Maras

As salinas não fazem parte do Boleto Turístico. Desde janeiro de 2024 custam cerca de R$ 30 (S/20) para estrangeiros e S/15 para peruanos, segundo a Marasal. Antes custavam S/10, e muitos guias ainda publicam esse valor. Só aceitam dinheiro.

Onde ficar no Vale Sagrado: Urubamba, Ollantaytambo ou Pisac

Região Ambiente Distância do trem Ideal para
Ollantaytambo Cidade inca, movimentada de dia e tranquila à noite Estação a pé Pegar o trem cedo para Machu Picchu
Urubamba Hotéis de campo com jardim; a cidade em si tem pouco charme 20 a 30 min de Ollantaytambo Famílias, hotéis amplos, base central
Yucay Muito tranquila, fazendas‑hotel Cerca de 30 min Descanso e casais
Pisac Clima holístico, retiros e ecolodges Longe, mais de 1 h Mercado, ioga, primeira noite saindo de Cusco

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Nossa recomendação: se no dia seguinte você pega o trem, durma em Ollantaytambo. Se procura descanso com jardim, Urubamba ou Yucay. Se vai ficar na cidade, veja nosso guia de onde ficar em Cusco.

Clima no Vale Sagrado e melhor época para ir

O vale é mais ameno e seco do que dizem muitos sites. Segundo o SENAMHI (normais 1991‑2020) para Urubamba (2.850 m), as máximas ficam em torno de 22 a 24 °C o ano todo, e as mínimas caem para cerca de 2 °C em julho.

Mês Máxima Mínima Chuva
Janeiro 22,2 °C 9,5 °C 105 mm
Fevereiro 22,0 °C 9,6 °C 101 mm
Março 22,3 °C 9,2 °C 72 mm
Abril 23,0 °C 7,7 °C 23 mm
Maio 23,4 °C 5,0 °C 4 mm
Junho 22,8 °C 3,1 °C 5 mm
Julho 22,4 °C 2,1 °C 5 mm
Agosto 23,2 °C 3,6 °C 7 mm
Setembro 23,6 °C 6,0 °C 8 mm
Outubro 23,6 °C 8,1 °C 38 mm
Novembro 23,8 °C 8,9 °C 56 mm
Dezembro 22,7 °C 9,3 °C 93 mm

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A época seca vai de maio a setembro, com dias ensolarados e noites frias. É a alta temporada, mais cheia em junho, julho e agosto. A época de chuvas vai de novembro a março, com chuvas fortes em janeiro e fevereiro.

Para nós, abril, maio, setembro e outubro são os melhores meses: tempo bom e menos gente. Use protetor solar o ano todo: o sol da altitude queima mesmo sem calor. Mais detalhes no guia do clima em Cusco mês a mês.

Paisagem do Vale Sagrado com montanhas nevadas e campos verdes
O vale é ameno o ano todo.

Festas do Vale Sagrado

  • Señor de Torrechayoc (Urubamba): celebrada em Pentecostes, com mais de 30 danças. Em 2027 o dia principal será 16 de maio.
  • Señor de Choquekillka (Ollantaytambo): quatro dias em torno de Pentecostes, com mais de 400 dançarinos. É Patrimônio Cultural da Nação desde 2008.
  • Ollantay Raymi (Ollantaytambo): em 29 de junho é encenado o drama quíchua Ollantay.

Altitude do Vale Sagrado

O fundo do vale fica entre 2.792 m (Ollantaytambo) e cerca de 2.970 m (Pisac), abaixo dos 3.399 m de Cusco. Já Maras (3.300 m), Moray (3.500 m) e Chinchero (3.762 m) ficam na altitude de Cusco ou acima.

Por isso vale dormir as primeiras noites no fundo do vale e deixar o planalto para depois. Explicamos em detalhe no guia sobre a altitude de Cusco e do Vale Sagrado.

Do Vale Sagrado a Machu Picchu de trem

O trem para Machu Picchu sai principalmente de Ollantaytambo, com a PeruRail e a Inca Rail. A viagem até Aguas Calientes leva de 1h30 a 1h50, e a passagem custa cerca de US$ 60 a 135 por trecho (R$ 315 a 705), conforme a classe.

Estações, classes, preços reais e horários das duas empresas estão no nosso guia do trem para Machu Picchu.

De Urubamba também sai um trem diário da PeruRail. Na época de chuvas, o trecho desde Cusco costuma ser feito de ônibus até Ollantaytambo, mais um motivo para dormir no vale na noite anterior.

As outras formas de chegar estão no nosso guia de como chegar em Machu Picchu, e como escolher o circuito, no de ingresso para Machu Picchu.

Estação de trem de Ollantaytambo, saída para Machu Picchu a partir do Vale Sagrado
A estação de Ollantaytambo, ponto de partida do trem para Machu Picchu.

Perguntas frequentes sobre o Vale Sagrado

Quantos dias preciso no Vale Sagrado?

Com um dia de passeio você vê o essencial. Com dois dias percorre com calma e aproveita o Boleto Parcial III, que vale exatamente dois dias. Se você segue para Machu Picchu, dormir duas noites no vale é o ideal.

É melhor ficar em Urubamba ou Ollantaytambo?

Ollantaytambo se você pega o trem no dia seguinte, porque a estação fica a pé. Urubamba se procura um hotel de campo amplo e uma base central para conhecer o vale.

Dá para visitar o Vale Sagrado por conta própria?

Sim. Pisac, Urubamba e Ollantaytambo são fáceis de van saindo de Cusco. Moray e as Salinas de Maras são mais complicadas porque não há transporte público, e aí um passeio ou um táxi economiza tempo.

O Boleto Turístico inclui as Salinas de Maras?

Não. As salinas são pagas à parte: S/20 para estrangeiros e S/15 para peruanos, em dinheiro. O boleto cobre Pisac, Chinchero, Moray e Ollantaytambo.

Dá para caminhar entre as poças de Maras?

Não. Desde junho de 2019 é proibido por higiene. A visita é feita pelos mirantes e trilhas sinalizadas, e a vista continua impressionante.

Qual o melhor dia para o mercado de Pisac?

O mercado abre todos os dias. De segunda a sexta é tranquilo. O domingo é o dia tradicional de feira e às vezes enche, embora em geral dê para visitar sem problema.

Vale mais a pena ir ao Vale Sagrado antes ou depois de Machu Picchu?

Antes. O vale é mais baixo que Cusco, ajuda na aclimatação e o trem para Machu Picchu sai de Ollantaytambo. O mais prático é dormir no vale e pegar o trem de lá.

É seguro ir de van coletiva ao Vale Sagrado?

Em geral sim, e locais e viajantes usam todos os dias. A estrada por Chinchero tem curvas fechadas: escolha veículos em bom estado, viaje de dia e leve pouca bagagem, porque o espaço é limitado.

Vale Sagrado ou Vale Sul?

Se só tiver tempo para um, o Vale Sagrado. O Vale Sul (Tipón, Pikillaqta e Andahuaylillas) é um bom meio dia extra e bem menos cheio. Tipón e Pikillaqta entram no Boleto Parcial II, não no III.

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